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A doença piorou mesmo depois da troca de função? Você ainda pode ter direitos

L.E. GuimarãesJuly 13, 20264 min read
A doença piorou mesmo depois da troca de função? Você ainda pode ter direitos

Muitos trabalhadores acreditam que, depois de serem transferidos para outra função, qualquer problema de saúde relacionado ao trabalho deixa de ser responsabilidade da empresa. Mas isso nem sempre é verdade.

Em diversas situações, a doença continua evoluindo mesmo após a mudança de função. Isso pode acontecer porque o dano já estava instalado ou porque as sequelas permanecem afetando a capacidade do trabalhador.

Nesses casos, o agravamento da doença pode gerar direitos trabalhistas e previdenciários, desde que seja comprovada a relação entre a atividade exercida e o problema de saúde.

Neste artigo, explicamos quando isso pode acontecer e quais direitos podem ser reconhecidos.

A troca de função elimina a responsabilidade da empresa?

Não necessariamente. A mudança de função pode reduzir ou eliminar a exposição ao risco, mas isso não significa que os danos causados anteriormente desapareçam.

Em algumas doenças ocupacionais, a lesão continua evoluindo mesmo após o afastamento da atividade que provocou o problema.

É por isso que cada caso deve ser analisado individualmente, considerando o histórico profissional, os exames médicos e a evolução da doença.

O que é o agravamento de uma doença ocupacional?

O agravamento ocorre quando uma doença já existente piora com o passar do tempo.

Em algumas situações, essa piora acontece mesmo após o trabalhador deixar de exercer a atividade que causava esforço repetitivo, sobrecarga física ou exposição a agentes nocivos. Isso é comum em doenças como:

  • lesões por esforço repetitivo (LER);

  • distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT);

  • hérnias de disco;

  • problemas na coluna;

  • doenças nos ombros, punhos e joelhos;

  • algumas doenças respiratórias causadas por exposição ocupacional.

Cada diagnóstico exige avaliação médica específica.

Ainda posso ter direitos mesmo depois da mudança de função?

Sim. Se ficar comprovado que a doença tem relação com o trabalho e que houve agravamento da condição de saúde, o trabalhador poderá ter direito a benefícios previdenciários e, dependendo do caso, também a direitos na esfera trabalhista. Entre eles, podem estar:

  • benefício por incapacidade junto ao INSS;

  • estabilidade provisória nas hipóteses previstas em lei;

  • eventual indenização por danos materiais, morais ou estéticos, quando houver responsabilidade do empregador;

  • pensão mensal, em determinadas situações de redução permanente da capacidade de trabalho.

Tudo dependerá da análise das provas e das circunstâncias do caso.

Como comprovar que a doença piorou?

A comprovação normalmente depende da reunião de documentos médicos e da análise técnica do caso. Entre os documentos que costumam ser importantes estão:

  • exames antigos e recentes;

  • laudos médicos;

  • relatórios do médico assistente;

  • histórico de tratamentos;

  • prontuários;

  • documentos que demonstrem as atividades exercidas ao longo do contrato de trabalho.

Também pode ser necessária uma perícia médica para avaliar a existência do nexo entre a atividade profissional e o agravamento da doença.

O fato de continuar trabalhando impede o reconhecimento dos direitos?

Não. Muitas pessoas continuam trabalhando por necessidade financeira, mesmo convivendo com dores e limitações.

Isso, por si só, não impede o reconhecimento de uma doença ocupacional ou de seu agravamento.

O que será analisado é se existe relação entre a atividade exercida e o problema de saúde, além dos impactos causados na capacidade de trabalho.

Quando procurar orientação jurídica?

Sempre que houver suspeita de que a doença piorou em razão das atividades profissionais, é recomendável buscar orientação especializada.

Uma análise individual permite verificar se existem elementos para demonstrar o vínculo entre a doença e o trabalho, além de identificar quais direitos podem ser buscados perante o INSS ou a Justiça.

Quanto mais cedo essa avaliação for feita, maiores são as chances de reunir provas importantes para o caso.

A troca de função nem sempre encerra os efeitos de uma doença ocupacional. Quando o problema de saúde continua evoluindo ou deixa sequelas que comprometem a capacidade de trabalho, o trabalhador ainda pode ter direitos, desde que fique comprovada a relação entre a doença e as atividades exercidas.

Cada caso possui características próprias, por isso a análise técnica da documentação médica e do histórico profissional é fundamental para garantir a proteção prevista na legislação.

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